Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 16 de abril de 2026
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Na terça-feira (14), a Escola de Ensino Fundamental Avelino
Feitosa celebrou com orgulho os 69 anos de emancipação política de Nova Olinda,
terra de riquezas culturais, tradições vivas e um povo que carrega, com
dignidade, a força de sua história.
As apresentações levaram uma
viagem no tempo e na memória, apresentando o tema: “Cultura Regional:
explorando as raízes culturais de Nova Olinda – CE”. Um convite a revisitar
o passado, valorizar o presente e sonhar com o futuro, por meio das memórias de
nossos antepassados, das conquistas atuais e dos sonhos das novas gerações.
Atendendo às turmas de 5º e 6º
anos do Ensino Fundamental, a escola conta atualmente com 73 funcionários e
376 alunos e alunas. Neste desfile, seus participantes representaram, com
orgulho, o sentimento de pertencimento e valorização da cultura local.
Abrindo o desfile, as alunas
conduziram, com honra e respeito, o brasão da escola, seguidas pelos
porta-bandeiras que trouxeram os símbolos maiores da nossa nação: as bandeiras
do Brasil, do Estado e do Município.
A baliza representou o tema
central do desfile: a beleza e a riqueza da cultura nova-olindense.
A primeira representação foi um
convite a mergulhar nas origens desta terra: “O povo Kariri: a cultura de um
povo guerreiro”.
Muito antes da formação do
município, os povos indígenas Kariri já habitavam esta região. Eles são
fundamentais para a formação histórica, cultural e arqueológica da região do
Cariri. Resistentes e sábios, foram guardiões da terra, da natureza e dos
saberes ancestrais que até hoje influenciam nossa identidade.
Em destaque, os alunos representaram
o povo Kariri. As vestimentas e as pinturas corporais simbolizando a
ancestralidade e a conexão com a natureza, marcas vivas da cultura indígena. O
uso de fibras naturais, penas e sementes simbolizando a simbiose com a Chapada
do Araripe.
Em seguida uma representação que
retratou as bases da construção de Nova Olinda: “A formação do povoado: o
trabalho e a fé”.
Nesta apresentação foi representado
o cotidiano dos primeiros habitantes, o homem e a mulher do campo com seus
instrumentos de trabalho e os frutos de quem planta, colhe e transforma a terra
em sustento.
Onde ao lado do trabalho, caminha
a fé, porque foi na confiança e na devoção que esse povo encontrou forças para
seguir, superar desafios e construir sua história. Neste momento a imagem de
São Sebastião, padroeiro de Nova Olinda, foi conduzido por estudantes
representando os fiéis em procissão — uma demonstração de fé que atravessa
gerações, simbolizando a devoção que une o povo nova-olindense.
A próxima representação nos conduziu
à preservação da memória: “Museus vivos: preservando a nossa história”.
Esta representação evidencia a
importância da preservação cultural através de instituições como a Fundação
Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, reconhecida nacional e
internacionalmente como um modelo de referência em gestão cultural, arqueologia
social e educação patrimonial. Fundada em 1992 por Alemberg Quindins e pela
arqueóloga Rosiane Limaverde, a instituição transformou a realidade local ao
colocar crianças e jovens como protagonistas na gestão de um patrimônio
histórico e arqueológico.
E é exatamente essa força da juventude
retratada pela escola. Os “meninos da Casa Grande” representam crianças
e jovens que fazem da cultura uma experiência viva. São eles que atuam como
guias do museu, comunicadores na rádio, produtores culturais, editores de
histórias em quadrinhos e pesquisadores. Aprendem fazendo, vivenciando e
compartilhando saberes.
Destaca-se também a figura de Antônio
Jeremias Pereira, personagem importante na luta pela emancipação política
de Nova Olinda, representado por um dos alunos. O Museu Casa de Antônio
Jeremias Pereira, inaugurado em 2017, é um dos museus orgânicos do município,
dedicado a preservar a memória política e social da região.
Com o coração pulsante da cultura
popular a escola também apresentou: “O chão da cultura e tradição”.
Neste momento foi referenciado as
manifestações culturais que fortalecem a identidade do nosso povo com a
tradicional festa de São Sebastião, representada pelos homens de fé que
carregam o pau da bandeira — um gesto de devoção que atravessa gerações.
Também surge a figura da Rainha
Exponova, símbolo da força feminina dentro das tradições. Ela representa
não apenas a beleza, mas o protagonismo da mulher na cultura. Sua presença dialoga com a vaquejada,
tradição profundamente enraizada no sertão. E, se a vaquejada nos conecta com o
passado, a Exponova se firma com o presente e a projeção do futuro: um evento
que cresce a cada ano, fortalecendo a economia local, valorizando a agricultura
familiar e projetando Nova Olinda para novos horizontes.
E é nesse mesmo chão de tradições
que o reisado ganha vida. Muito mais que uma manifestação cultural, o reisado é
uma celebração que reúne música, dança, teatro e religiosidade em uma expressão
da cultura popular nordestina. Em Nova Olinda, essa tradição permanece viva
graças à dedicação de pessoas como a Mestra Angelina, guardiã do reisado, que
mantém acesa essa expressão cultural e transmite saberes ao nosso povo.
Na representação: “Herança de Mestres:
arte em couro e artesanato”.
Nova Olinda se orgulha de ser
reconhecida como “A cidade da arte em couro”, tradição eternizada pelo Mestre
Espedito Seleiro, referência nacional e internacional, cujo talento
transformou o couro em símbolo de identidade cultural.
Sua trajetória se conecta ao
cangaço: foi seu pai quem produziu sandálias para Virgulino Ferreira da Silva,
o Lampião, figura emblemática do sertão nordestino. Hoje, essa herança
permanece viva, transformando o couro em arte e sustento para muitas famílias.
A tradição também se revela no
trabalho da Mestra Dinha, referência na arte da tecelagem de redes, cujo
saber foi reconhecido como patrimônio cultural. Ela recebeu o título de Notório
Saber em Cultura Popular pela Universidade Estadual do Ceará, reconhecimento
equivalente ao título de doutora.
A pintura em Pedra Cariri é outra
expressão artística icônica de Nova Olinda, que revela a criatividade do povo
ao utilizar o calcário laminado típico da região — a Pedra Cariri — como tela
para retratar a fauna, a flora e o cotidiano do sertão. O Ateliê Pedra Sobre
Pedra se destaca como principal referência desse trabalho na cidade.
E na última representação, onde o
tempo aponta para frente: “O futuro de Nova Olinda: cultura,
sustentabilidade, esporte e educação”.
Um futuro que preserva:
O futuro se constrói com
consciência e responsabilidade. A preservação do meio ambiente, representada
pela agrofloresta e pelo Geopark Araripe, reforça o compromisso com a
sustentabilidade e o cuidado com a natureza. A agrofloresta aparece como
símbolo desse novo caminho. A propriedade de seu Zé Artur, no Sítio
Tabuleiro, aqui em Nova Olinda, é exemplo de transformação: um espaço que
regenerou solos antes improdutivos, sem o uso de queimadas ou venenos,
produzindo alimentos orgânicos e sustentáveis.
Compromisso com o esporte:
O esporte se apresenta como
ferramenta de transformação social, revelando talentos, formando cidadãos e
ensinando valores essenciais como disciplina, respeito e superação. Nova Olinda
é uma cidade que acredita e investe no esporte.
Educação que transforma:
A educação, base de toda
transformação, se revela na diversidade de sonhos que ganham forma. E junto à
educação, a cultura literária também se faz presente. Destacamos as
representantes da Academia de Letras do Brasil/Seccional Regional Araripe-CE,
instituição que atua na preservação do patrimônio histórico e literário do
Cariri Oeste. Fundada em 2017, a
academia reúne intelectuais de diversos municípios da região, incluindo Nova
Olinda.
Neste momento três estudantes
representaram mulheres que honram e fortalecem a cultura do nosso município: Luciana
Muniz da França, Francisca Andréia Teles Barbosa Nergino e Lucélia Muniz da França —
educadoras, escritoras e protagonistas na construção do saber. Elas simbolizam
a força da mulher nova-olindense, que educa, transforma e deixa sua marca na
história.
Porque preservar, educar,
valorizar e sonhar são caminhos que nos conduzem a um futuro mais humano, mais
consciente e cheio de possibilidades.
Mensagem da Escola Avelino Feitosa aos munícipes
Que Nova Olinda continue sendo
terra de cultura, de fé, de trabalho e de sonhos. Que suas raízes permaneçam
firmes, seu presente seja de conquistas e seu futuro seja guiado pelas mãos das
novas gerações.
Que possamos honrar nossas raízes,
valorizar nosso presente e construir, juntos, um futuro ainda mais digno,
sustentável e cheio de oportunidades.
Parabéns, Nova Olinda, pelos seus
69 anos de história!
A Escola Avelino Feitosa agradece e celebra, com orgulho, esta
terra querida!