Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 06 de setembro de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @meiryalvescavalcante
Fotografia - Werisleik Gois | Marketing Nedina
No final da tarde do sábado (05),
escolas municipais e estaduais do município de Assaré-CE participaram do
tradicional Desfile Cívico em alusão a data do 07 de setembro. A Escola
Estadual de Educação Profissional Antonia Nedina Onofre de Paiva inaugurada em
22 de outubro de 2014 foi uma das instituições de ensino que garantiram
presença fazendo o encerramento deste momento cívico.
A escola conta hoje com uma matrícula
de 456 alunos, formando profissionais técnicos em Administração,
Agropecuária, Informática, Desenho de Construção Civil e Design de Interior.
O núcleo gestor é formado pela Diretora
Escolar Meiriane Alves e pelos coordenadores escolares Antonio Carlos
da Silva, Ivaneide Brito e
Carlos Renir. A secretária escolar é Luciana Feitosa e o
assessor financeiro é William Adriano.
Com a
temática “O ENSINO PROFISSIONAL TECENDO UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA COM
RESPEITO, INCLUSÃO E EQUIDADE”, a referida instituição de ensino
destacou o poder da educação profissional como pilar de transformação social,
formando cidadãos preparados para o mercado de trabalho e conscientes do seu
papel na construção de um Brasil mais justo e independente.
A comissão de frente foi composta por alunos
que levaram a faixa com o nome da escola e o tema apresentado no desfile; a
bandeira da escola; o brasão do estado do Ceará e da EEEP Antonia Nedina; as
bandeiras do Brasil, do estado do Ceará e dos três municípios que formam o
consórcio de abrangência da escola: Assaré, Tarrafas e Antonina do Norte e as
bandeirantes que levaram as 27 bandeiras que simbolizam os estados brasileiros
e o distrito federal.
Em
seguida, os presentes conferiram um pelotão formado pelo núcleo gestor e os
professores da escola. Sendo estes - Lucerlândia, Júlia,
Damiana, Marciana, Diana, Norma, Lucélia, Karine, Roseralda, Jardiane, Janiele,
Evilânia, Cleudo, Werisleik, Paulo Henrique, Lucélio, Fernando, Matheus, Lucian
e a secretaria Luciana.
Na
sequência, desfilaram também os professores da base técnica,
acompanhados dos alunos que levaram o logotipo de cada curso da instituição: Administração,
que tem, como coordenadora de curso, Alessandra, e, como Orientador de
Estágio, Bruno; Informática, que tem, como coordenador de curso, Gutemberg,
e, como Orientador de Estágio, Davi; Os Cursos de Desenho de
Construção Civil e Design de
Interior, que tem, como coordenadora de curso, Fabiana, e,
como Orientador de Estágio, Soares; Agropecuária que tem, como
coordenador de curso, Secifram, e, como Orientadora de Estágio, Virgínia.
Estudantes componentes do Grêmio
estudantil da escola também se fizeram presentes. O grêmio escolar que é uma
organização criada para representar os interesses dos estudantes dentro da
escola. Sua importância vai muito além de atividades culturais e recreativas,
pois desempenha um papel fundamental no desenvolvimento social, político e
educacional dos jovens.
No 1º pelotão a escola
apresentou-se com o tema “Somos sujeitos em ação na construção do bem-ver” com estudantes devidamente fardados, demonstrando
que fazer parte da escola é também assumir responsabilidades, cuidar do espaço,
respeitar as diferenças e contribuir para uma convivência mais humana e
acolhedora.
Já no 2º pelotão temático foi
apresentado a reflexão “Educação Insurgente: tecendo saberes antirracistas,
para construir novo sentidos” onde a escola se apresentou como um grande tear.
No entrelaçamento de saberes, trajetórias, identidades, corpos e vozes, estudantes
teceram pelas principais ruas do município uma educação viva, marcada pelo
respeito e pela valorização das diversidades.
À frente deste pelotão, um Livro —
o fio do conhecimento. Dele, desprenderam-se fios coloridos que representaram
a pluralidade, atravessando os estudantes e guiando caminhos. Momento de
uma homenagem marcante as tecelãs e os tecelões da História: pensadores
e teóricas de Assaré, do Cariri, do Brasil e do Mundo, cujas vozes
sustentam saberes insurgentes e
práticas pedagógicas antirracistas.
Logo atrás, um Lápis - ferramenta
que escreve histórias plurais. Representa as vivências e as práticas
reais da Escola Antonia Nedina, capazes de desestabilizar estruturas de
dominação e transformar realidades.
Encerrando este pelotão,
a estudante Esmeralda Viana desfilou como uma Realeza Africana, simbolizando o protagonismo negro, as
desaprendizagens necessárias e as mudanças de perspectiva que a educação
antirracista geram na juventude. Esmeralda, estudante integrante da Vivência
— Ceará: Território Negro (2026), entoou
a música “14 de Maio de Lazzo Matumbi”.
E no 3º pelotão o tema “Cariri:
Identidades que pulsam tecendo redes de afeto, arte e resistência”. Este pelotão temático trouxe
alguns grupos de resistência da nossa região, expressando, por meio de cores e
objetos característicos, a essência de suas identidades.
Neste
foram representadas as comunidades quilombolas de
Potengi, como a do Sítio Carcará, marcos fundamentais da resistência
negra e do combate ao racismo estrutural no sertão. Estas que funcionam
como guardiãs de uma rica herança cultural manifestada na agricultura familiar
de subsistência, no artesanato local e em festejos tradicionais, como o Reisado
de Caretas. A cor verde evocando a ligação profunda desse povo com a terra,
a ancestralidade e a esperança de continuidade de seus territórios protegidos.
Também
se representou o Povo Indígena Kariri (Crato) que
em sua própria toponímia trazem a memória dos povos originários que
habitavam o vale muito antes da colonização. Atualmente, os Kariris
remanescentes vivenciam um forte processo de retomada étnica, afirmação de
identidade e proteção ambiental — especialmente conectados aos recursos
hídricos e matas da Chapada do Araripe. Neste
a pelotão destacou a cor vermelha como simbolismo do urucum, da pintura
corporal de guerra e do sangue dos antepassados que lutaram para manter viva a
cultura indígena na região.
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E também
foi representado a Banda Cabaçal como a célebre tradição mantida em
Altaneira — constituindo uma das expressões estéticas e musicais mais antigas e
autênticas do Nordeste brasileiro. Unindo traços rítmicos indígenas
e africanos à estrutura dos sopros europeus, o conjunto utiliza pífanos,
tarol e zabumba para ditar o ritmo de danças e rituais sagrados ou profanos. Neste a cor amarela celebrando a vibração
festiva, a musicalidade pulsante e a riqueza do patrimônio imaterial que move o
Cariri Oeste.
Os
estudantes ainda apresentaram no referido desfile, o Grupo de Capoeira
(Serra de Santana - Assaré). Situado na zona rural da terra de
Patativa, o grupo de capoeira da Serra de Santana utiliza essa arte — misto
de dança, luta e jogo — como uma poderosa ferramenta de inclusão social e
cidadania para a juventude sertaneja. Historicamente ligada à libertação e
resistência dos povos escravizados no Brasil, a capoeira no topo da serra
resgata o som do berimbau e o movimento do corpo como formas de arte e
disciplina. Aqui se destacou a cor branca numa alusão ao uniforme
tradicional (o abadá), simbolizando a paz, o respeito aos mestres e a harmonia
comunitária.
Para complementar a temática
abordada, o 4º pelotão teve como
tema “Oportunidades que transformam: Educação Profissional tecendo
caminhos para um futuro mais justo e inclusivo”.
Neste pelotão foi evidenciado a
educação profissional como uma importante política de inclusão, emancipação e
transformação social, capaz de contribuir para a construção de uma
sociedade mais justa, equitativa e antirracista. Garantir aos estudantes o
acesso à formação profissional significa democratizar oportunidades, ampliar
horizontes e romper com barreiras históricas que, em uma sociedade marcada por
profundas desigualdades sociais e raciais, limitaram o acesso de muitos jovens
à educação, ao trabalho e à ascensão social.
A profissionalização, articulada
ao conhecimento científico, à pesquisa, às artes, ao esporte e à formação
cidadã, possibilita que os estudantes desenvolvam autonomia, ampliem
suas perspectivas de futuro, ingressem no ensino superior e ocupem, com
conhecimento e competência, espaços no mundo do trabalho que também lhes
pertencem.
Para uma sociedade marcada por
desigualdades raciais e sociais, garantir esses acessos é também uma ação
antirracista. É enfrentar as barreiras que limitam oportunidades e criar
condições para que esses jovens estejam na universidade, na ciência, nas
profissões, na cultura, no esporte e em tantos outros espaços de participação e
decisão.
Cada conquista rompe uma barreira.
Cada oportunidade amplia um horizonte. Cada estudante que avança leva consigo a
possibilidade de transformar não apenas a própria trajetória, mas também a
realidade ao seu redor. É assim que a escola tece transformação: formando para
o trabalho, abrindo caminhos para o ensino superior, fortalecendo talentos e
garantindo que conhecimento e oportunidades sejam instrumentos de equidade,
autonomia e emancipação.
E para encerrar a participação da
Escola Antonia Nedina Onofre de Paiva, a Cavalaria composta pelos alunos do
Curso de Agropecuária, lembrando daqueles que, ao longo da história,
avançaram com coragem diante dos desafios. O cavalo representando movimento; o
cavaleiro, determinação; e a marcha, a capacidade de seguir em frente rumo a um
objetivo.
É na escola que aprendemos que
cada pessoa possui uma história, uma cultura, uma identidade e uma dignidade
que devem ser respeitadas. Esta foi a mensagem levada pela EEEP Antonia Nedina
Onofre de Paiva.